Moto rali Motards do Ocidente – Breve relato de uma principiante







Moto rali Motards do Ocidente – Breve relato de uma principiante

Deixo aqui um pequeno relato do moto rali organizado pelo Moto Clube “Motards do Ocidente” em 3 e 4 de Maio de 2008, o qual juntou três dezenas de participantes, amantes de passeios, cultura, aventura e ….. petisco.

Uma breve descrição dos locais visitados, das peripécias vividas e das … das … das … bom, é melhor lerem.



1ª Parte
(ao que parece a 2ª vai ser melhor)


Sábado:
Manhã solarenga, ponto de encontro no Castelo de Sesimbra, construído na época muçulmana e uma das edificações integrantes do “Plano de guerra defensivo” dos nossos tetravôs. Cumprimentos, distribuição de road books, à hora exacta, deu-se a partida. A primeira tarefa foi árdua (o controlador tinha desaparecido) mas valeu a visita ao Castelo. Descida à bela estação de veraneio, um rápido olhar pela fortaleza, parada pela marginal, subida em caracol apertadinho e rumo a Azeitão. Cheirámos as tortas ao longe, seguimos para Palmela. Estrada cheia de atarefados para as compras de fim-de-semana, o percurso possível naquela zona.

Subimos ao Castelo de Palmela, fortificação que remonta à romanização da península ibérica, situado num dos pontos mais altos da Serra da Arrábida … Bingo … desta vez encontrámos o controlador… Visita ao Castelo, resposta às perguntas e o primeiro jogo.

Descida até à Vila, direcção Azeitão e Colares, rotunda à esquerda rumo a “Barris” … de pólvora para mim, pois era maçarica em estradas de terra. O piso até era mais-ou-menos, cerca de 4 km em direcção à belíssima Serra da Arrábida, onde desembocámos naquelas estradas a dominar a fantástica vista, subimos até ao alto, respirámos imensidão, um sol magnífico a convidar para as praias lá em baixo. Mas não podia ser… passámos um controle secreto, que alguns não viram tal era a paisagem.

Até aqui eu andava meia perdida, a lutar contra os hieróglifos do road book, coisa difícil para uma principiante. Na dúvida, esperava pelo próximo participante para saber que lado virar. Eis senão quando aparecem os “lentinhos” e a simpática Catarina convida-me a juntar-me a eles. Estava formado o trio maravilha, liderado pelo Gil e religiosamente seguido pelas duas ladys motards.

Já com outro alento, demos a volta à Serra e descemos até ao mar para visitar as Ruínas do Creiro, uma fábrica romana de salga de peixe. Uns metros abaixo, na Praia do mesmo nome, esperava-nos o almocito. Mas esperem … calma lá … ainda têm de superar uma prova. Foi ver o pessoal a passear ovos crus, ardilosamente equilibrados em colheres seguras na boca – ai … ai … ri-te, ri-te e … chão! Penalização!

Após “degustar” a entrada, serviram a feijoada de choco, combustível necessário para dar gás …. à próxima etapa.

E vamos nós, pelo que resta da Serra da Arrábida, rumo a Setúbal, para desfrutar de um cruzeiro pelo Sado, em paquete de luxo. Saída em direcção à praia da Comporta (raios agora ficava aqui) e passeio pelo estuário do Sado. Visita ao cais palafítico, obra incrível de arquitectura popular, onde nos esperava mais uma prova. Todos têm de construir um puzzle, sentados num passadiço, por entre os barcos e as redes. Superada a prova, volta à estrada, mais uma vez de terra, direcção Sul. Rectas e mais rectas, bom piso, kms e rectas. Paragem noutra praia alentejana (quero ficar na praia), muito calor, outra prova à espera. Arranjei uma pendura de empréstimo (obrigada Sandra) para disputar uma corrida de chancas. Correu bem. Desta safei-me!

E agora, com o Destino à vista, debandámos mais para Sul, em direcção a Vila Nova de S. André. Gil e as Amazonas só pensavam num mergulho na piscina. Chegados ao local, ainda não é agora. Trocámos as duas rodas por quatro … mas 4 pequeninas. 4 rodinhas de um Kart, aquilo é que foi acelerar. Sem polícia, sem limites de velocidade, um fim de tarde a todo o gás!






2ª Parte
(ao que parece que a primeira foi ….)



Sábado à noite:
Tudo começou com um “Moscatel de Honra”. Eu quero com uma pedrinha de gelo, eu quero com duas, eu com três e a malta lá deu vazão ao moscatel. Entrada para o restaurante e Lady Penão, em traje de gala, ia fazendo as honras à casa …. Madames … Messieurs, sil-vu-plé ……

Bom, até aqui tudo bem. O jantar decorreu na normalidade que se esperava, o belo arroz de tamboril foi um ar que lhe deu e as sobremesas também … ai …. aquelas sobremesas ….

Eis senão quando …. Tivemos uma aparição ……o entretainer do Hotel entrou de rompante, a cantar, deu um olhar de convite e voltou rapidamente para o bar. Não foi preciso mais nada, a malta seguiu o convite, bem comportadinhos (claro, estava em jogo a ida ao BAR), lá fomos. O dito cujo estava cheio de hospedes, a ouvir aquele show man. Na sala contígua havia espaço. Pois então, sentados a ouvir canções do nosso tempo, os pezinhos começaram a aquecer. Mas a malta ainda não se tinha ambientado.

Conversa de motos, eu ia à frente, tu ias dando um terno, aquela curva, ai e tal, bebidas para a mesa mas os motores ainda frios. Que é aquilo? As ladys motards vão aonde? Surpresa, espanto, incrível, …. E não é que elas se colocam atrás daquele pequeno-grande artista, qual starlets, a dançar, mãozinhas para lá, pezinhos para cá, sorridentes, abriram o baile …. Correcção, abriram qualquer coisa parecida pois …. Não se podia dançar!!! ?????? (ordens da gerência).

O artista nem queria acreditar. Foi o início da apoteose. As palmas não paravam. Os motards assobiavam, gritavam, não se calavam. Um sucesso. Depois, bem depois, …… depois nem imaginam. Os motores aqueceram, enrolaram punho, e foi sem parar até entrar no red line. Nessa noite revelaram-se vários artistas.

Mais ladys promovidas a starlets e gentlemans a dar ao pé (mas quietinhos pois não se podia dançar). Só que a pressão era muita ……e de repente começou a versão motard dos “Idolos”.

Ele era ver o Olivença agarrado às maracas a seguir o compasso da música, o Lima a bambolear o pezinho, direita, esquerda, nasciam dançarinos às dezenas, o Mimoso (o Gil de Albufeira) dava aos bracitos, todos ao som do karaoke do Zé Rebelo que agarrado ao microfone sentia-se uma estrela. Cada vez que acabava uma música, chorava …. Quero mais!. A animação era tal que o Gil (homem do Norte, claro) voltou às origens e pediu …… os Patinhos …… sim, os patinhos! E o grande maestro da banda, concedeu-lhe o desejo. Patinhos a dançarr ….. e rabinho a dar a dar…. Piu –Piu …. Piu-Piu …. E lá dava com o rabinho, para um lado, para o outro, aquilo era contagioso, mais rabinhos a dar a dar, aquele pessoal das motos …. Inacreditável … rabinho a dar a dar …. (o Olivença também mas com as matracas).

Chegado à pressa da sala do snoker, Herr Krull pegou num instrumento musical (para acompanhar a banda) …. e qual máquina-bávara-potentíssima, …. estragou o objecto. Retirou-se cabisbaixo. Mas os amigos estavam lá, sim para dar o devido apoio. Começou uma colecta para reparar os estragos e a boina do entretainer encheu-se de solidariedade (o Vítor continuava agarrado às maracas).

Um casal de enamorados (tiveram de tirar o microfone ao Rebelo) dançava apaixonado. Veio o barmem que comunicou (uma vez mais) - não era permitido dançar. O Zé encorpou o seu papel de polícia e … não deixou mais ninguém dar ao pezinho. Assim que via um pequeno movimento lá corria ele para o criminoso …. Tsss tssss ….não…não ….

A noite acabou com os hospedes do hotel a fugirem para os quartos, o pessoal das motos (energúmenos) a dançar por todo o lado, um a tocar os tambores, outro a cantar karaoke, o Olivença (ainda) a tocar as maracas, o rabinho a dar a dar, a malta a bater palmas, todos em coro …. Uma da manhã … Eiiii … duas da …. Heiii … Heii… heiiii … prontos, estava na hora, fechou o bar.





Domingo:

Manhã de nevoeiro, avaria numa moto que o Pedronho dizia – é da junta! – qual junta? - junta tudo e deita fora … reboque a carregar a moto (tem de se manter a tradição, moto rali sem avaria não é rally, não é nada), lá partimos para a 2ª etapa. Penagirl dava a ordem de partida! Serra de S. Francisco, visita à Igreja paroquial, meia dúzia de curvitas e o belo do estradão. Motos a rolar, poeira, pedrinhas, o Gil lá conduzia pacientemente sus muchachas por aqueles “maus” caminhos.

Vegetação característica, ervinhas e florzinhas, pessoal a aprender botânica, é preciso apanhar “Urze”, mas que raio são “Estevas”, o Mimoso a subir um sobreiro para apanhar folhinhas. O Olivença passa por nós com saudades das maracas. Mais à frente um controlador esperava para mais uma prova. No meio do nada atirámos bolas ao alvo e respondemos à perguntinha da praxe. O Sérgio de olho no cumprimento das regras, estava em todo o lado.

Mais pó, mais TT, está tudo amarelo, ouve-se o Rebelo a cantar, ainda se imaginava no karaoke. Chegados a Abela, tudo em romaria até à Igreja. Segue-se o caminho de Santiago, uma estrada estreita, curvinhas e mais curvinhas, rectas alentejanas, paragem para uma perguntinha e treinar com a fisga. Descobre-se o início da paisagem alentejana, pradarias sem fim, sobreiros, calor, finalmente Santiago do Cacém. Subida íngreme, a 90 graus até ao Castelo, empedrado, a pedir a melhor perícia dos participantes. Estacionamento possível nos intervalos dos carros, domingo hora da missa, foi o que se arranjou.

Foto de grupo e ala para o restaurante onde nos esperava uma farta grelhada mista. Conversa de motos (claro), eu fui por ali, aquela subida, falhou-me o pé, dei-lhe gás, a moto até andou de lado, a dar a dar, piu-piu, piu-piu, peripécias à volta das febras.

Agradecimentos à organização (João, Patrícia e restantes organizadores, um muito obrigada pela simpatia), agradecimentos aos participantes (todos 5 estrelas) entregas de prémios e lembranças, boa viagem a todos. Voltámos para casa.







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